Como tantas vezes nos deparamos no
dia-a-dia os animais são tratados no nosso país com uma displicência
assustadora. E se nas grandes cidades os casos se amontoam, ao nos
dirigirmos para o interior a coisa piora.
Os casos de animais presos a uma corrente
mínima são às centenas e se há alguns que têm a sorte de andar
livremente, tendo por tecto a lua e as estrelas, não é por isso que
acabam por ter muito mais sorte. Ao mínimo problema que surja ou se
pertencem ou pertenceram a algum vizinho que tenha problemas com outro
vizinho é logo motivo mais do que suficiente para levarem com um tiro.
É este o caso do Putchi e do Leão.
Vou com alguma frequência a uma aldeia da
Serra da Estrela e ainda conheci a mãe do Putchi, uma pastor alemão
lindíssima que desapareceu sem o dono dar conta, algo fácil, dado andar
sempre sozinha numa estrada de bastante movimento. Espero que tenha ido
para melhor.
Da sua última ninhada, ajudámos ainda a
dar uma menina e já não fomos a tempo para este menino. Um vizinho ficou
com ele para cão de guarda. Mas desde cedo que o Putchi decidiu que o
local onde se encontrava não era bom e sempre que podia, fugia.
Começaram os falatórios, que destruía colheitas, que andava atrás dos
rebanhos (testemunhei eu muitas vezes para apenas brincar com eles como
se de outros cães se tratassem). Ultimato feito ao dono: ou tira daqui o
cão ou ele leva um tiro a próxima vez que estiver nas minhas terras. O
dono por sua vez não está nada preocupado e já arranjou entretanto outro
cão, mais calmo e sossegado pelo que tanto se lhe faz que leve um tiro
ou diz que um dia destes se for para os lados da cidade, mete o cão no
carro e leva-o para o canil municipal. Já lhe expliquei o que lá
acontece, mas é igual.
É um cão de uma enorme meiguice e apesar
dos seus cerca de 2 anos, continua a ser um grande cachorrão. Adora
crianças.
Quanto ao Leão, teve em tempos um dono e
um outro companheiro de 4 patas. O dono morreu e o seu companheiro, por
ser de porte pequeno, teve a felicidade de encontrar uma nova família em
Lisboa e foi resgatado por elementos do Pé ante Pata. Ficou assim o Leão
sozinho. Acabou por se juntar a um homem, que é “persona non grata” na
aldeia, uma espécie de sem abrigo que vive num casebre. Como não gostam
do dono, o cão vai por atacado e também já começaram a dizer que este
cão, que é uma paz de alma, roeu uma rede do gado, e que lhe vão dar um
tiro se ele se aproximar novamente.
Uma vizinha, ainda com uma réstia de gosto
por animais, e convencida que os canis são sítios bons, ainda sugeriu
levar para lá o animal. Expliquei-lhe também a ela a realidade e por
agora isso evitou-se, mas o perigo aproxima-se da vida do Leão a passos
largos.
Estes animais, refugiam-se na minha casa
sempre que lá estou, sabem que aquele é um oásis e sempre que me venho
embora partem-me o coração por verem que são diferentes dos meus cães e
não podem entrar no meu carro e pertencer à minha família canina.
Adoptaram-nos como amigos e irão adoptar quem lhes der um pouco do que
já perceberam ser tão bom: carinhos.
Se puderem ser uma família para um destes
animais, por favor contactem-nos.
Eles serão para sempre vossos companheiros
dedicados e fiéis.
Contactos:
Pé ante Pata
96 796 17 32 - Mafalda (depois das
18h)