Max - Cão jovem em risco - Muito meigo - Zonagrande
Lisboa
Sou o Max, um cachorrão que foi abandonado sem
saber por quê. Um dia tudo era belo, sempre fui um cão exemplar, meigo,
doce, beijoqueiro, um verdadeiro companheiro. Sou assim com toda a gente, é
verdade, mas será tão difícil de compreender que só quero um pouco de
atenção, de carinho?
Os humanos acham no cimo da sua racionalidade que
só eles sentem, que só eles têm emoções. Não podiam estar mais longe da
verdade.
Eu senti bem a tristeza quando vi os meus donos a
partirem de carro e a deixarem-me para trás. Corri até as minhas patas o
permitirem, mas não consegui acompanhar a velocidade do carro.
Não percebi o motivo, já me têm dito que alguns
humanos são assim, desprovidos de moral, que adoptam e depois abandonam, que
o mal não está em mim. Mas como vou eu acreditar que o mal não está em mim?
No café por onde vagueio todos os dias, peço a
todos com quem me cruzo que me levem com eles, que sejam a minha nova
família. A maioria enchota-me para a estrada, alguns olham-me com pena,
outros com indiferença. Mas ninguém faz o gesto que mudaria a minha vida,
que me daria a nova oportunidade de ser feliz. Uma menina que passou cá pelo
café tirou-me estas fotos. Senti-me logo vaidoso e fiz imensas poses.
Pelo seu olhar percebi que era uma boa candidata e
lancei todo o meu charme. Beijinhos, marradinhas, até de barriguinha para o
ar me pus.
Mas infelizmente ela explicou-me que já tem muitos
em casa e que não me podia levar com ela. Mais uma desilusão. Até quando vou
aguentar?
Ainda por cima não resisto a brincar com os carros,
no meio da estrada. Já me explicaram que ainda posso ficar atropelado, mas
eu sou muito bebézão e não consigo resistir. Adoro deitar-me ao solinho
mesmo, mesmo, no meio da estrada.
Por favor ajudem-me a ultrapassar toda a tristeza
que sinto e que não compreendo. Tenho menos de um ano e a possibilidade de
uma vida inteira pela frente, assim me permitam vivê-la.
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